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POLÍTICA

PGR ironiza que Selma investiu 88% do patrimônio na campanha em MT

Procuradora-Geral Eleitoral Raquel Dodge também apontou que conta bancária de Selma Arruda foi utilizada para “ocultação” de origem de verbas

Postado em 14/09/2019 às 17:30 |

A Procuradora-Geral Eleitoral, Raquel Dodge, apontou que a senadora Selma Arruda (PSL-MT), possui um patrimônio incompatível com os gastos realizados em sua campanha eleitoral de 2018. Segundo Dodge, “não se mostra razoável” que a parlamentar tenha utilizado mais de 88% de suas economias apenas para investir nas eleições.

A suposta irregularidade consta do parecer de Raquel Dodge sobre cinco recursos que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quatro deles foram interpostos tanto pela senadora quanto por membros de sua chapa – o 1º suplente Gilberto Possamai e a 2ª suplente Clérie Fabiana Mendes, todos do PSL. O diretório nacional do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, também patrocina uma das petições. Selma Arruda foi cassada em abril de 2019 por prática de Caixa 2 e abuso de poder econômico, perfazendo gastos irregulares da ordem de R$ 1,2 milhão.

“Ocorre que, como registrado pelo Ministério Público, os valores em tratativa são manifestamente incompatíveis com o patrimônio declarado pela então candidata, por ocasião do seu registro de candidatura”, diz trecho do parecer. 

Em sua declaração de bens a Justiça Eleitoral, Selma Arruda informou possuir R$ 1.140.000,00 em imóveis. Para a Procuradora-Geral Eleitoral não seria razoável que mais de 88% desse valor (R$ 1.025.000,00) fossem investidos na campanha. A soma, de acordo com a própria senadora, teria origem em doações próprias nas eleições de 2018.

Além de achar “estranho” as doações próprias declaradas pela senadora, Raquel Dodge também aponta que Selma Arruda estaria utilizando suas contas bancárias para “ocultar” a origem de recursos.

“Indubitavelmente, tal fato consiste em forte indício de que o seu sigilo bancário estaria sendo utilizado para a ocultação da origem da verba empregada para a quitação das despesas em tratativa, bem como da possibilidade de outros gastos de campanha terem sido pagos com recursos registrados à margem da contabilidade oficial”, denunciou Raquel Dodge.

O parecer da Procuradora-Geral da República pede pela confirmação da cassação da senadora eleita, determinada em abril deste ano pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT). Os autos encontram-se sob relatoria do Ministro do TSE, Og Fernandes, que deve acatar ou não a manifestação de Raquel Dodge.

CASSAÇÃO

Selma Arruda foi cassada por 7 votos a 0 em julgamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) no dia 10 de abril deste ano. Ela responde a uma representação que apontou um gasto irregular de R$ 1,2 milhão em sua campanha vitoriosa ao Senado em 2018. Os recursos não foram declarados, e teriam sido utilizados em período proibido pela Justiça Eleitoral – o que configura a prática de “Caixa 2”, além de abuso de poder econômico. O órgão também já reprovou as contas da parlamentar.

A senadora disputou pela primeira vez uma eleição em 2018 após se aposentar como juíza do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) em março do ano passado. Ela obteve 678.542 votos.

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